Pastoral da Terceira Idade e a Tradição da Santa Cruz.
  Publicado em 16/5/2007 16:21, com 432 acessos.


Quando éramos pequenos, nosso pai nos ensinava o catecismo e em voz firme nos perguntava: - És cristão? Ao que respondíamos:
- Sim; sou cristão pela Graça de Deus!
- Quando que o homem se faz cristão?
- O homem se faz cristão pelo batismo.
- Qual o sinal do cristão?
- O sinal do cristão é o Sinal da Cruz.

Aí está o motivo que nos leva a saudação à Santa Cruz. O louvor à Santa Cruz teve início alguns anos depois de Cristo quando os cristãos encontraram a cruz onde Cristo foi crucificado.

A exaltação a Santa Cruz era comemorado no dia 3 de maio e embora a igreja passasse a comemorar no dia 14 de setembro, mas a tradição permaneceu em maio, principalmente em nossa região no Sul de Minas.

No dia 3 de maio de 2007 a Pastoral da Terceira Idade relembrou as comemorações à Santa Cruz realizando um encontro na Santa Cruz existente na saída de Piranguçu para Vila Maria, onde o grupo rezou um terço. E como manda a tradição, tivemos Preparadeiras, Capitão do Mastro, Alferes da Bandeira, Festeiros, cantos, fogos, Vivas à Santa Cruz e ao final, que delícia! Café com broas de batata doce feitas pelo Grupo e assadas em fornalha.

“Nossas lembranças de infância” sobre este evento foram um misto de religiosidade, superstição, crendice, usos e costumes. Lembramos que cada Cruz tinha o seu território e os moradores eram os responsáveis pela manutenção da Santa Cruz, pela reza do terço e pelos comes e bebes onde sempre que possível era evitado o uso de bebida alcoólica.

A Cruz era enfeitada com papeis coloridos, flores e bandeirinhas. O terço entremeado com cantos de louvor a Santa Cruz, e o mastro erguido com muitos fogos e vivas. Depois do terço os participantes enfileiravam para respeitosamente beijar a fita que desprendia dos braços da Cruz e aproveitavam para fazer suas preces particulares e seus pedidos. Em seguida era servido o esperado café acompanhado de várias opções da tradicional culinária mineira, como o pão caseiro, roscas, bolachinhas, e a tradicional broinha de batata doce. Já os biscoitos de polvilho eram mais bem acompanhados com chá de erva-doce. Vez por outra eram servidas pinga com groselha, motivo de muita confusão ao final da festa.

Foram lembradas algumas Cruzes centenárias de nosso município e suas histórias passadas de geração para geração.

- Santa Cruz do bacalhau.
Localizada no alto da serra, no caminho que dá acesso de Piranguçu ao bairro São Bernardo. Conta-se que uma senhora veio a Piranguçu fazer compras e que subiu a serra comendo um pedaço de Bacalhau que havia comprado. Com isso sentiu muita sede e ao procurar uma água para beber, escorregou nas pedras do riacho tendo uma queda fatal.

- Santa Cruz do Negrinho.
Localizada na saída de Piranguçu para o bairro Pedra Branca. Não se sabe ao certo a origem dessa Cruz, mas conta-se que recebeu esse nome porque uma pessoa a utilizava como morada.

- Santa Cruz da Onça.
Localizada na serra dos Marques. Entre os participantes do Grupo, Sr. Nestor e Dona Benedita Carlos contam que quando crianças participavam das festas nessa Santa Cruz. Segundo nos disseram, foi-lhes passado que o nome desta Cruz deveu-se ao fato de um caçador que numa sexta feira santa saiu para caçar e foi morto naquele local por uma onça.

- Santa Cruz dos Queimados.
Esta Santa Cruz foi extinta recentemente, mas localizava próximo às margens da rodovia BR-383, na divisa entre Piranguçu e Itajubá. Conta-se que num dia de São Lourenço, 10 de agosto, três irmãos resolveram fazer uma queimada, preparando a terra para o plantio de feijão. Ao acenderem o isqueiro, pediam repetidamente “São Lourenço barba de ouro, acenda este fogo para mim”. Como não eram atendidos, brincaram: “São Lourenço barba de bode, acenda este fogo para mim” e para surpresa formou-se uma imensa fogueira e na tentativa de apagarem tamanho fogaréu, acabaram morrendo queimados.
Nessa Cruz rezava um terço festivo no dia 3 de maio como era a tradição. Porém devido ao acontecido, outro terço era rezado na mesma Cruz no dia de São Lourenço, sem fogos nem fogueira.

- Santa Cruz do Alvarenga.
Localizada na serra, divisa de Piranguçu com Estação Dias. Conta-se que o Capitão do Mato, Alvarenga, foi morto naquele local quando capturava um escravo fugitivo.

- O Santo Cruzeiro.
Em 1951 o Pe. Arlindo Giacomelli, vigário da Paróquia de Santo Antonio, administrava a reforma da igreja. Naquela época o Santo Cruzeiro, que era pintado de azul, ficava no pátio da igreja. Foi então que se decidiu que seria removido daquele local para o alto de uma montanha, voltado para nossa cidade (que naquela época ainda era um distrito de Itajubá).

O local foi gentilmente cedido pelo Sr. Geraldo Corrêa de Carvalho. O projeto feito pelo Dr. Vicente Sanches foi entregue ao Sr. Boaventura Silva Pinto que administrou a obra. O pedreiro que trabalhou na construção foi o Sr. Francisco Gargalhone, tendo como ajudante o Sr. José Viana. O material para a construção foi levado em carro de bois, sendo carreiro o Sr. Benedito Sebastião Pereira, mais conhecido por Ditinho Arruda. A água para fazer a massa foi carregada pelo Sr. João Gargalhone, do Ribeirão Piranguçu até ao local da obra.

Em maio de 1952, foi inaugurado o novo Santo Cruzeiro, com uma missa festiva e a presença de mais de 200 cavaleiros. Após a missa houve leilão de prendas doadas pela comunidade: leitoas e frangos assados, doces caseiros, pão de ló, roscas, cartuchos e muito mais... Nos anos seguintes, e por vários anos, no mês de maio era realizada nova festa no Santo Cruzeiro.

A Pastoral da Terceira Idade sugere as autoridades, civil e religiosa, um programa para restauração das Cruzes que fazem parte da história de nosso município, e que também seja colocada uma placa no Santo Cruzeiro com o nome das pessoas que participaram da construção daquela obra, e que seja retomada a Festa do Santo Cruzeiro no mês de maio.

Quem quiser saborear a famosa Broa de batata Doce, tradicionalmente servida nas festas de Santa Cruz, a Pastoral da Terceira Idade está divulgando a receita:

• 6 pratos fundo de batata doce cozida e espremida;
• 2 xícaras de farinha de trigo;
• 9 ovos;
• 1 colher de canela em pó;
• 250 gramas de margarina;
• 3 colheres de erva-doce;
• 1 e 1/2 xícara de óleo;
• 1 colher de chá de sal;
• 3 colheres (bem cheia) de pó royal;
• 6 xícaras de açúcar.

Bater muito bem todos os ingredientes, misturar a batata, acrescentar o fubá até o ponto de enrolar. Colocar na forma enfarinhada, uma perto da outra. Assar em forno quente.

Texto enviado por Ana Benedicta de Siqueira




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