Amaro Nunes da Rosa. Um Artista Pirotécnico.
  Publicado em 18/7/2008 16:33, com 308 acessos.


Quando o ano chega a sua metade nos traz as boas lembranças das festas típicas da época, como a festa da Santa Cruz, de Santo Antonio, São João, São Pedro, conjuntamente com as tradicionais festas juninas.

Nesse clima festivo a Pastoral da Terceira Idade resgatou a lembrança de um personagem que viveu em nosso município, e que foi marcante no brilhantismo dessas festas nas décadas de 1930 a 1950. Vamos relembrar AMARO NUNES DA ROSA, um artista que ficou conhecido por todos como Amaro Fogueteiro, dado seus conhecimentos e habilidades em desenvolver, artesanalmente, verdadeiros espetáculos pirotécnicos nas festas de Piranguçu, naquela época.

Sr. Amaro nasceu no bairro Ano Bom, município de Itajubá em 1910. Ainda moço veio morar em Piranguçu, passando a residir inicialmente no bairro do Centro, zona rural próximo à divisa com Campos do Jordão. Depois se mudou para o bairro Vera Cruz e posteriormente passou a residir no Centro de Piranguçu, próximo a Matriz de Santo Antonio. Foi casado com dona Geraldina Mariano da Conceição, e tiveram oito filhos: Sebastiana, Benedita, Manuelina, José, Benedito, Amado, Ana e Maria.

Em 1951, com os filhos já praticamente criados, resolveu mudar para Santo André, na Grande São Paulo, onde trabalhou até aposentar. Viu os filhos casar, conviveu com os netos e bisnetos, até falecer em 1990, aos 80 anos.

Segundo Manuelina, em Piranguçu seu pai trabalhava na lavoura e fazia fogos de artifícios que aprendeu em um livro, e possuía licença para exercer esta atividade, emitida pelo Ministério da Guerra (atual Ministério da Defesa), por intermédio do Major Severiano Ribeiro Cardoso.

Um mês antes das festas, sob o comando do pai Amaro, a família toda já trabalhava para que tudo saísse perfeito. E a atenção chegava aos mínimos detalhes, pois embora fosse uma atividade de alto risco, nunca houve acidente com a família ou com os participantes das festas. Orgulhosa, Manuelina nos disse: “Meu pai fazia os fogos mais lindos que já vi”.

A menos da pólvora, salitre e enxofre que eram comprados (e de boa qualidade), o restante era tudo artesanal. Buscavam as varas dos rojões nas várzeas; a argila branca era coletada nos rios; o carvão era feito das emboveras e os canudos de cana-do-reino que eles mesmos plantavam. E ai começava a produção dos fogos... Socavam em pilão o carvão, o salitre e o enxofre até obter uma mistura granulada e fina que era peneirada. Depois enchiam os canudos até ao meio com esta mistura e daí por diante... Ao final os canudos eram lacrados com breu. A potência do foguete de vara dependia se era amarrado a dois ou três canudos.

O grupo de nossa Pastoral da Terceira Idade lembra-se de muitos espetáculos pirotécnicos feitos com fogos de artifícios confeccionados pelo Sr. Amaro. E Dona Manuelina ainda nos contou como eram feitos:

ESPETÁCULO DO COQUEIRO: Fincavam um tronco de eucalipto no chão. Em seguida lavravam taquaras até que ficassem bem finas, e depois amarravam a extremidade inferior, contornando o tronco de eucalipto. Nas pontas superiores das taquaras, prendiam os cartuchos de fogos de cor. Ao acender o estopim (barbante envolvido em pólvora) formava uma tocha, e quando o fogo chegava aos cartuchos, as varas pendiam, balançando e soltando os fogos coloridos e, no escuro da noite, provocava um clarão que lembrava a um coqueiro soltando fagulhas coloridas.


ESPETÁCULO DA POMBINHA: Em um quadro de madeira pregava a estampa de Santo Antonio, pintada pela Sra. Maria Siqueira. Cobria esse quadro com papelão feito artesanalmente com jornal e mingau de farinha de trigo. Na moldura do quadro, prendiam canudos de papel contendo pólvora colorida e argila. Rodeava também o quadro com o estopim. Uma pombinha, feita de madeira pelo Sr. Sebastião Felix, com um estopim acesso no bico, descia de outro local próximo, guiada por um arame liso, até chegar ao quadro onde acendia outro estopim que ao mesmo tempo soltava o papelão, acendia os fogos coloridos e descobria a estampa do Santo.

O MORTEIRO: o “morteiro” consistia num canudo de bambu-açu enterrado no chão, cheio de pólvora e argila, que quando aceso subia e explodia no alto, caindo fogos coloridos.

TÁBUA COLORIDA: Em uma tábua grande colocada no chão eram posicionados verticalmente até 32 fogos de vara, interligados por um estopim, que ao ser aceso, eram lançados seqüencialmente, e ao explodirem soltavam fogos coloridos.

JUDAS: Nas noites dos sábados de aleluia, o Sr. Amaro ainda confeccionava o Judas que era estourado por diversas vezes, com as bombas que eram colocadas em seu interior.

ALVORADA: Nos dias em que eram realizadas as festas tradicionais, tinham as Baterias da Alvorada, com seis bombas grandes em cada vara, que eram detonadas às quatro horas da manhã, dando inicio a alvorada da festa, seguido pela retreta da banda marcial, sob a batuta do maestro Sr. João Ferreira.

Foi muito bom relembrar esses momentos, agora entendendo melhor como tudo acontecia, percebendo a dedicação e o envolvimento da Família do Sr. Amaro. Somos gratos por esse marco feliz que deixou na história da nossa cidade, da nossa Paróquia e das nossas vidas. Obrigado!


Ana Benedicta de Siqueira – Pastoral da Terceira Idade




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