A origem de Piranguçu escrita por um historiador.
  Publicado em 1/6/2009 14:17, com 425 acessos.


Quando o Padre Lourenço fundou Itajubá, já existiam algumas fazendas nas bandas de Piranguçu.
O principal sesmeiro dessas glebas segundo registros da época, era o senhor Manuel Ribeiro Cardoso, entre outros.

A história de Piranguçu começa quando o Senhor Felizardo Ribeiro Cardoso, após casar-se com Dona Inês Maria de Jesus, em Soledade de Itajubá, vem fazer morada nas terras herdadas de seu pai, Manuel Ribeiro Cardoso.

Por volta do ano de 1834, o Senhor Felizardo construiu sua fazenda nas terras do Piranga-Uçu, isto é, da “Pedra Vermelha Grande”, como os índios Puri-Coroados-Puri “gente mansa ou tímida”- as chamavam. Os bugres chamavam qualquer pedra elevada, que apresentasse a cor vermelha, em vez de Itapiranga - Pedra Vermelha - simplesmente piranga. A grande Pedra Vermelha, como ainda hoje é chamada, era Piranga-Uçu, que se tornou Piranguçu.
Na nova fazenda que compreendia as terras entre o ribeirão Piranguçu, o das Anhumas e as terras do vale São Bernardo, o senhor Felizardo construiu a casa-grande, adquiriu muitos escravos, iniciou a criação de rebanho e cuidou de muitas plantações, entre elas a cultura do fumo, que era a principal fonte de riqueza de todo o sul de Minas.

Junto à fazenda de Felizardo Cardoso, outros posseiros foram se estabelecendo, entre eles Inácio Lemes da Silva, que em 1838 fez a doação de um terreno no alto do morro para a construção de uma capela consagrada a Santo Antônio. Construída a capelinha, as primeiras missas foram celebradas pelo Padre Lourenço da Costa Moreira, fundador da cidade de Itajubá. Anos depois, o Senhor Felizardo demoliu essa pequena ermida e construiu em seu lugar uma igreja maior e toda ornamentada. A benção do novo templo realizou-se em 21 de agosto de 1853, e era Felizardo Cardoso quem mantinha um capelão às suas expensas. Ao sopé desse morro, cujo alto era coroado pela igreja, nasceu a pequena cidade de Piranguçu.

Por força da lei n°1668 de 17 de setembro de 1870, o lugar foi elevado a Distrito de Paz e, no ano seguinte, passou a categoria de freguesia, desmembrando-se da Paróquia de Itajubá, conforme rezava a lei n°1789 de 22 de setembro de 1871. O primeiro vigário nomeado para a nova freguesia, Freguesia de Santo Antonio de Piranguçu, foi o padre Augusto Ferreira Campos, natural de Pindamonhangaba, estado de São Paulo. O Senhor José Timótio Corrêa fez a doação de uma casa no adro da matriz, para a residência do vigário.

Bernardo Saturnino da Veiga, no seu famoso almanaque sul-Mineiro, de 1874, registra alguns fatos sobre a freguesia de Santo Antonio de Piranguçu.

Esta povoação é uma das menores que conhecemos com categoria de Freguesia. Contém apenas 27 casas, as quais as 12 são choupanas cobertas de capim. A Igreja Matriz que é orago de Santo Antonio é uma pequena capela em que os habitantes do lugar construíram quando era vivo o prestimoso cidadão Felizardo Ribeiro Cardoso, o mais forçado criador deste povoado (...) compreende-se as vantagens de criar-se aqui uma paróquia, pois com ela vem o sacerdote para cura das almas e a escola para a instrução da mocidade. Contra o costume geral que é estar a igreja no meio da praça principal, aqui ela é colocada sobre um monte, isolada nesse lugar que é uma depressão da montanha ficam as casas, onde não se avista o povoado parecendo que a ermida se levanta do deserto."

Entre os anos de 1885 e 1889, esteve em missões, por estas paragens, o padre Jesuíta Bartolomeu Taddei com alguns colegas de sacerdócio, que além de pregações espirituais, realizaram muitos melhoramentos por onde percorriam. Em Piranguçu o missionário observou que o cemitério estava situado em local impróprio. Como havia no alto do morro, onde se encontrava a matriz, um espaçoso terreno do patrimônio paroquial, convocou um mutirão e, com ajuda de alguns benfeitores, preparou o terreno para a nova necrópole, que foi benta em 2 de Janeiro de 1885.

Nesse campo santo, hoje, estão sepultados muitas personalidades históricos entre os quais o Major Severiano Ribeiro Cardoso, Padre Domingos Perrone, Paulo Chiaradia e o poeta Antônio Martins.

Quatro anos mais tarde, o Padre Taddei volta a Piranguçu. Em suas visitas, o missionário percebeu a falta de água potável que havia no distrito. Empreendeu um mutirão para a construção de um largo e profundo canal desde uma légua e um quarto de légua para trazer a água à população. Em poucos dias a obra foi concluída. Anos mais tarde por diligência do Major Severiano Ribeiro Cardoso, fez-se a captação mais higiênica e duradoura de água.

A primeira visita pastoral na freguesia foi a de Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, em 1889, Bispo de São Paulo, Diocese a que pertenciam as Paróquias Sul-Mineiras, naquela época.

A primeira escola pública foi instalada na freguesia de Santo Antônio de Piranguçu, em 1° de maio de 1898. Cinco anos depois, com grande festa, foi inaugurado um prédio para a escola, pouco abaixo da matriz. Na parte térrea do prédio ficava a cadeia. O acontecimento foi notificado pelo jornal “Gazeta de Itajubá”. A solenidade foi abrilhantada pela banda de música “Lira Piranguçuense”. Em 1957 o prédio teve seu telhado desabado após uma noite de chuva forte e ficou abandonado por uns 10 anos, até ser reformado e ocupado pela câmara Municipal, Biblioteca Municipal Antônio Martins Ribeiro e delegacia de Polícia.

Em 8 de dezembro de 1917 foi constituída uma comissão encarregada da construção da nova casa paroquial. A comissão era constituída pelos seguintes membros: Padre Geraldo Vesters (presidente), Major Severiano Ribeiro Cardoso (tesoureiro), Paulo Chiaradia, José Ricotta, Vicente Chiaradia (encarregado de obras), Bernardo Domingues, Sebastião Antunes, Pedro Mendonça, Manuela Santiago, João Rodrigues Simões, Joaquim Marques da Silva, José Joaquim da Silva Pinto, Benedito Borges, Francisco Antunes de Siqueira (Chico Valentim) e José Guilherme de Mendonça.

O lançamento da pedra fundamental da Casa Paroquial foi uma solenidade com a presença da comunidade e aconteceu num dia de domingo, após a missa das 10 horas. A pedra propriamente dita foi trazida em carro de bois da fazenda do Sr. Francisco Antunes de Siqueira e era um bloco de dimensões aproximadas de 100x60x30 cm3. Nesse bloco foi feito um entalhe pelo pedreiro Sr. José Ribeiro onde o Major Severiano Cardoso colocou uma garrafa de vidro contendo em seu interior a ata do evento, devidamente assinada por todos os presentes. Essa garrafa foi fechada com rolha e lacrada com cera quente, pelo Sr. João Batista. Após o acondicionamento da garrafa no entalhe, foi colocada uma chapa de ferro sobre a pedra e o Pe. Geraldo Vesters autorizou ao Sr. José Ribeiro, auxiliado por Pepino Perrone (irmão do Pe. Domingos Perrone) que sobre a pedra dessem início à construção.

A casa Paroquial foi entregue em 11 de maio de 1919, com banda de musica e muito foguetes. A esses vultos do passado a quem se juntam outros nomes, Piranguçu deve a sua prosperidade.

A energia elétrica foi inaugurada em janeiro de 1920, graças ao esforço do Major Severiano Ribeiro Cardoso, fundador do lugar, que na época era membro da câmara Municipal de Itajubá. A energia era fornecida por uma pequena usina construída no rio Lourenço Velho, Usina Luiz Vidal, o mesmo Dr. Vidal que construiu a usina São Bernardo, no município de Piranguçu. Hoje essas usinas pertencem a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais). Nessa época também, por iniciativa do major Severiano, o “fabriqueiro da Paróquia”, foi inaugurada a iluminação do adro e no interior da matriz.

Chegou a Piranguçu, em 1922, o altar-Mor da Igreja matriz, de madeira de lei, construído em Jacutinga. Em março de 1924 chegou a pia batismal de mármore.
Em 1947, inaugurava-se o relógio da torre, e em 1949 eram inaugurados, festivamente, os novos sinos movimentados à eletricidade.
Em abril de 1957 inaugura-se o novo altar, obra de mármore com ornamentos em bronze, e a obra em relevo do Padroeiro Santo Antônio, vindos de São Paulo a pedido do vigário Pe. José Afonso Castelijns.

No ano de 1923, a lei Estadual n° 843, de 7 de setembro, determinou a mudança do topônimo de Santo Antônio do Piranguçu para simplesmente Piranguçu.

Piranguçu emancipou-se politicamente em 1° de março de 1963, desanexando-se de Itajubá.


Autor do Histórico: EUGÊNIO PACELLI MORAES RENNÓ


Notas do Site:
  1. O Padre Jesuita Bartolomeu Taddei é considerado o fundador e propagador do Apostolado da Oração no Brasil. Faleceu no dia 03 de junho de 1913, aos 76 anos.
    O Padre Taddei tinha como base o convento dos Jesuitas na cidade de Itu, mas durante suas férias costumava realizar missões nas comunidades, como pode-se constatar registros de sua presença em Piranguçu e nas cidades de Santos, Cunha, Pindamonhangaba, Guaxupé, Itajubá, Itapira dentre outras.

  2. O cemitério que existia e que foi transferido para o atual por ser considerado pelo Pe. Taddei em local impróprio, ficava à esquerda de quem sobe pela rua em frente da igreja Matriz.

  3. Conforme o relato, os sinos da igreja Matriz de Piranguçu foram projetados para serem acionados através de motores, que possivelmente não ocorre devido a deficiência na instalação elétrica.

  4. Solicitamos a quem tiver algum fato a acrescentar ou alterar nesse relato, que nos envie através de nosso email info@pirangussu.com.br.





Conteúdo : História

  18/10/2012 - História - Bairro Sobradinho
  05/09/2011 - História - Homenagem ao Sebastião Maria.
  24/06/2009 - História - Fatos e Fotos do Esporte Clube Piranguçu.
  01/06/2009 - História - A origem de Piranguçu escrita por um historiador.
  26/05/2008 - História - Uma romaria a pé a Aparecida do Norte, realizada em 1958.
  03/01/2008 - História - Movimentos Religiosos - A Liga Católica.
  02/01/2008 - História - Movimentos Religiosos - As Filhas de Maria
  28/12/2007 - História - Movimentos Religiosos - Os Congregados Marianos
  26/12/2007 - História - Movimentos Religiosos - A Cruzada Eucarística
  10/12/2007 - História - Resgate Histórico dos Movimentos Religiosos.
  17/09/2007 - História - Nosso Torneio Leiteiro fez Bodas de Prata
  22/07/2007 - História - Boiadas de Porcos e Perus fazem parte de nossa História.
  13/07/2007 - História - Nossa Banda Marcial - Músicos da Velha Guarda
  19/06/2007 - História - Bastidores da História - Em homenagem ao Delicado.
  12/06/2007 - História - A magia dos Cartuchos de Festa.
  16/05/2007 - História - Pastoral da Terceira Idade e a Tradição da Santa Cruz.
  13/05/2007 - História - RODOVIA BR 383, Trecho Itajubá – Campos do Jordão
  11/04/2007 - História - Pastoral da 3ª Idade e as tradições da Semana Santa
  24/03/2007 - História - A Saudosa LIRA DE SANTO ANTONIO.
  27/03/2006 - História - Poder Legislativo de Piranguçu

»Veja +