Pedro Teles
  Publicado em 28/3/2006 08:04, com 639 acessos.


PEDRO TELES


Pedro Teles nasceu no bairro da Berta provavelmente em 1886. Na época o Brasil era Império e a escravidão ainda estava em pleno vigor, pois a lei Áurea foi assinada pela princesa Isabel em 13 de maio de 1888, mas pela lei do ventre livre sendo um homem da raça negra ele nasceu livre, mas seus pais foram escravos.

Em 1918 com o fim da 1ª Guerra Mundial surgiu a Gripe Espanhola e a Febre Tifóide, e as autoridades passaram a investir mais em saneamento básico, ensinando a população a preservar a água e a fazer fossas sépticas para conter o esgoto, evitando a contaminação.
Nequela época Piranguçu pertencia ao município de Itajubá e o Pedro Teles trabalhava para a Prefeitura daquela cidade como construtor de cisternas e de fossas.

Em Piranguçu, Pedro Teles casou-se com dona Francisca Eduarda e tiveram oito filhos: Benedito Teles (foi morar em Borda da Mata), João Teles (carreiro), José Teles, Otávio Teles (foi morar em Ouro Fino), Tereza Teles (mora em Piranguçu e é viúva do Benedito Arruda), Lurdes Teles, Maria Teles e a Zefa Teles (caçula).

Terminado os serviços naquela prefeitura, Pedro Teles passou a trabalhar para o sitiante Pedro Geraldo no atual bairro dos Correinhas. Depois trabalhou para diversos outros fazendeiros e sitiantes, nas atividades da lavoura como plantação, capina, colheita. Entre seus patrões podemos citar a família Valentim, principalmente o Sr. Getúlio, recém-casado naquela época.

Com a idade avançando, Pedro Teles foi ficando surdo e compreendia as palavras se fossem ditas em voz alta e com ajuda de gestos. Dependendo do assunto dava altas gargalhadas, apesar de uma tosse crônica que o acompanhava. Gostava muito de canjica e de leite com farinha e só fumava em cachimbo usando bons fumos de rolo. Ele sempre dizia: "se eu estiver morrendo e me derem um prato com canjica eu peço a São Pedro para esperar um pouquinho até eu terminar de comer". Sabia ler e era eleitor. Gostava de fazer versos e desafios...

Morando em Piranguçu, no bairro da Cachoeirinha, ainda trabalhou para vários proprietários na vizinhança, como as dos senhores Antonio Germano, Osvaldo Corrêa dentre outros. Apesar da idade continuava fazendo seu trabalho devagar mas com zelo.
Posteriormente já bem velhinho, foi morar no Lar Santo Antonio. Era trabalhador exemplar, um bom pai de família, um homem de bem!

Em 1974, alguns meses antes de sua morte, ao ser indagado sobre Piranguçu, ele parou, colocou no chão o feixe de lenha que levava nas costas morro acima e sabiamente disse: “Piranguçu não anda bem! Desde que o padre Lau (Pe. Laureano Marques, mSC) morreu, estamos sem padre e sem missa. Mas a policia aumentou. Chegou mais um soldado e agora estamos com três policiais... Portanto Piranguçu não pode estar bem, pois não tem padre e está aumentando o numero de policiais”.

E assim viveu e passou um personagem marcante da vida e do cotidiano de Piranguçu. Uma pessoa simples, trabalhadora, honesta, exemplar chefe de família e que trazia dentro de si uma cultura observada talvez por poucos. Para os que o conheceram ficaram suas lembranças, a fumaça deixada por suas prazerosas cachimbadas e uma gostosa gargalhada que era ouvida ao longe e que fazia bem aos nossos ouvidos.


Texto enviado por Francisco Xavier de Siqueira




Conteúdo : Personagens

  18/07/2008 - Personagens - Amaro Nunes da Rosa. Um Artista Pirotécnico.
  02/05/2006 - Personagens - Sebastião Felix da Silva
  28/03/2006 - Personagens - Pedro Teles
  17/11/2005 - Personagens - Benedito Pereira de Miranda - O Delicado

»Veja +