Poeta Antonio Martins Ribeiro
  Publicado em 8/5/2006 09:50, com 363 acessos.


Antônio Martins Ribeiro


Nasceu na cidade de Cambuquira aos 2 de novembro de 1912. Filho de Pedro Martins Ribeiro e Maria Cândida Melo Martins. É membro efetivo da Academia Sul-Mineira de Letras e da AIL – Academia Itajubense de Letras.

Colaborou com assiduidade em vários jornais e revistas do Rio de Janeiro, Minas e São Paulo. Já publicou: “Os Torturados” (Poesias) e tem inéditos os seguintes livros: “Campo Florido”, “Minha Terra”, “Tonadilhas”, “Cantigas do Troveiro” (Trovas), “Cantigas do Coração” (Trovas) e “Velhas Poesias”. Em Itajubá, foi o organizador de uma POLIANTÉIA, em homenagem ao Doutor Theodomiro Santiago, cujo trabalho foi elogiado pelo Instituto Histórico de Ouro Preto.

Antonio Martins fundou e dirigiu os seguintes jornais:
“O Progresso” (Cambuquira), “O Resumo” (Itajubá), “O Independente” (São José do Alegre) e, “Tribuna Sul-Mineira” (Brazópolis). Com o jornalista Sinésio Fagundes, fundou, em São Lourenço, a revista “A Montanha”. Colaborou no suplemento da “A Noite” do Rio de Janeiro. Vários trabalhos seus foram aproveitados para duas Antologias, organizadas respectivamente, por Luiz Otávio e Félix Ayres.

Antônio Martins Ribeiro, academicamente, nunca chegou a formar-se como farmacêutico. No entanto era autodidata, ou seja, possuía vocação suficiente para suportar tamanha responsabilidade frente à amada profissão com quem se dedicava. Fizera então, diversos cursos de especialização, na capital mineira, Belo Horizonte, a fim de obter licença, um alvará para poder operar com próprio estabelecimento, uma Farmácia própria onde fosse reconhecidamente, Farmacêutico.

Ao final da década de 30, mais precisamente em 1939, na pequenina Olegário Maciel, casou-se com Maria Cândida Martins Ribeiro, professora, natural da cidade de Santa Rita do Sapucaí, e desta união nasceram os filhos:
- Cláudio Martins Ribeiro, comerciante em Piranguçu;
- Gesmer Martins Ribeiro, diretor de ensino e professor em São Paulo;
- Hamilton Martins Ribeiro, falecido aos dois meses de idade;
- Maria Beatriz Ribeiro Martins, professora e artesã;
- Cláudia Regina Martins Rodrigues, professora de Artes Plásticas;
- Maria Imaculada M. Ishybashy, poetisa e professora universitária em Mogi das Cruzes;
- Antônio Martins Ribeiro Filho, caçula falecido e sepultado aqui em Piranguçu.

Antônio Martins possui treze netos e seis bisnetos. Também possui um sobrinho poeta – Argemiro Martins Corrêa – natural de Caxambu, que, seguindo os passos do tio ilustre, também ingressara no mundo Literário.

Antônio Martins Ribeiro, era genuíno chefe de família. Grande homem, amava por demais a esposa – companheira fiel - e filhos, a quem tratava a todos com imenso carinho. Às meninas, procurava sempre compor seus mimos. Aos meninos, tentava ensinar-lhes os passos da primeira profissão. Antônio Martins, muito prezava pelo futuro dos filhos a quem também procurava edificar-lhes os planos; mestre nato, a ensinar aos filhos as primeiras lições em dar o início de seus viveres, nos primeiros passos da longa e árdua caminhada.

Junto à esposa, Antônio Martins assistiu de perto, a vida tirar-lhes dois filhos dos calorosos braços de grande pai que foi. Decidiu entregar-lhes aos braços do Criador, na confiança de que era decididamente um homem de fé, nutrindo esperanças na Missão que julgava estar assim, inserido. Um dos frutos de seu Amor está sepultado na cidade de São José do Alegre: Hamilton Martins Ribeiro. No campo Santo desta pacata cidade, encontra-se na lápide algumas palavras de sua autoria. No auto de sua dor, Antônio Martins sabiamente soube canalizar tamanho sentimento e expressar em suaves palavras esta mensagem:

HAMILTON.

“Aqui jaz nosso filhinho
Nossa glória fenecida
Se ele foi nossa esperança
Também foi nossa vida”.

Antônio e Maria,
(* 29/08/1946 + 17/10/1946).

Apenas, “Antônio e Maria”. Versos brandos, a camuflar duros sentimentos. Na arte do poeta, palavras também podem significar lágrimas soltas no papel. Lágrimas secas, que nunca irão se ressequir... Nesta pura e, ao mesmo tempo, dolorosa mensagem de pai para filho.

Um dos ilustres amigos que teve Antônio Martins é o grande historiador itajubense e orgulho de nossa região, de nossa terra, o senhor José Armelim Bernardo Guimarães. Fez ele, através de valiosíssimas colaborações de jornais, livros e revistas de grandes circulações regionais, várias citações ao grande amigo; tecera por várias vezes homenagens ao grande poeta e farmacêutico.

Sobre o amigo Antônio Martins, Armelim escreveu:
Conheci Antônio Martins em 1936, quando ele trabalhava na Farmácia Jorge Braga, na Praça Theodomiro Santiago, ano em que ele fundou o jornal “O Resumo”, e foi esse jornal que me aproximou de Antônio Martins não só porque dera ele, em seu periódico, amável acolhida a umas minhas croniquetazinhas, sem nenhum mérito, que hoje eu não publicaria, mas, sobretudo pela imensa admiração que logo me despertou por sua genialidade como poeta nato, espontânea e original. E junto com a admiração nasceu a amizade.

Sobre o poeta Antônio Martins, Armelim escreveu:
Em suas composições não se encontra arrebiques pernósticos, nem idiossincrasias fechadas. Suas poesias, vazadas nos moldes clássicos da forma, da musicalidade e do primor rítmico encantam pela simplicidade, sobretudo pela simplicidade, pela doçura das adjetivações, pela clareza, pelo embalo cadencioso e, sobretudo, pelo lirismo espontâneo e cristalino de um Cassimiro de Abreu, de um Antônio Nobre, de um Gonçalves Dias. Poeta de notável inspiração, trovador admirável, muitas de suas trovas foram incluídas por Luiz Otávio em uma Antologia.

Sobre o Historiador Antônio Martins, Armelim escreveu:
Antônio Martins Ribeiro, era esse o seu nome completo, mas em seus versos e obras em prosa só assinava os dois primeiros nomes. Desde os nove anos de idade se dedicava ao serviço de farmácia. Estabelecendo-se com farmácia própria, residiu em Biguá, Delfim Moreira, Olegário Maciel (onde se casou), Bela Vista, São José do Alegre e finalmente, Piranguçu, falecendo em 17 de Agosto de 1962, e onde está sepultado”. Nesta ligeira crônica de saudosista, rendo-me ao preito de homenagem à memória desse admirável intelectual e meu amigo que foi, e que hoje descansa deste orbe no campo-santo da pacata e aprazível cidade de Piranguçu.

Para José Armelim Bernardo Guimarães, Antônio Martins era homem de fácil comunicação e desenvoltura, possuía grandes amigos com quem edificava sua amizade através de longa vivência, baseando-se em pura amizade que se transformara através dos fatos e dos tempos em pura e simplesmente pura, admiração.

Ao Poeta e Farmacêutico, Antônio Martins Ribeiro Infinitas Homenagens, nas saudades dos filhos, Netos, bisnetos, Ilustres Amigos e Admiradores.

Partiu deixando viúva sua esposa, companheira fiel de tantos anos, a saudosa, Maria Cândida Martins Ribeiro e, órfãos da figura paterna, os filhos. Maria Cândida, figura exemplar de mãe, imediatamente amparou seus filhos. Sobrevieram dificuldades, mas sua fé era muito maior. Venceu! Cumprira sua missão... Viera a falecer anos mais tarde nesta mesma cidade, aos 13 de Fevereiro de 1991, deixando também saudades aos filhos, netos e bisnetos.


Texto enviado por Leandro Ricardo Ribeiro Martins

Nota do Site:
Leandro Ricardo Ribeiro Martins, autor desta homenagem e nosso colaborador em diversas outras matérias, é neto do saudoso Poeta Antonio Martins Ribeiro do qual se diz "Eterno Aprendiz e Admirador".




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